VAMOS FALAR DE MERITOCRACIA?

Recentemente recebi um post de uma Juíza de Direito do Paraná que criticava duramente a Meritocracia. Seu post “viralizou” com mais de 127 mil curtidas e 10 mil comentários no Facebook, mostrando a importância do assunto.

A seu ver, “o discurso embasado na meritocracia desresponsabiliza o Estado e joga nos ombros do indivíduo todo o peso de sua omissão e da falta de políticas públicas. A meritocracia naturaliza a pobreza, encara com normalidade a desigualdade social e produz esquecimento – quem defende essa falácia não se recorda que contou com inúmeros auxílios para chegar aonde chegou“.

E é justamente por encontrar tantas posições equivocadas sobre o tema é que decidi enriquecer o debate com algumas considerações.

A meu ver a meritocracia deve ser encarada sobre dois aspectos: uma mais restrita e outra mais ampla.

A primeira limita-se ao âmbito das Organizações: privadas ou públicas, com ou sem fins lucrativos e diz respeito aos critérios de promoção e avanço na carreira de seus membros.

A ideia central é a de que independentemente do tempo na empresa ou na função, de idade, sexo, cor, nacionalidade ou qualquer outro fator desta ordem, o critério fundamental a garantir o avanço na carreira dos membros de uma organização é o MÉRITO.

O mérito se materializa no esforço, engajamento, dedicação, caráter e resultados apresentados ao longo do tempo.  A meritocracia como filosofia e cultura organizacional é justa, desejável e imprescindível às Organizações do século XXI.

Sob o ponto de vista mais amplo, me parece que o tema repousa sobre uma pergunta: o ambiente é determinante ao nosso sucesso ou fracasso?

Quero dizer, se nascemos em um ambiente de escassez de recursos e dificuldades, estamos fadados a uma vida de pobreza e fracasso?

Ou, por outro lado, se nascemos em berço esplêndido, temos a garantia de sucesso e realizações?

Me parece que a resposta às duas perguntas é um sonoro não!

Se buscarmos em nossa experiência, encontraremos exemplos de pessoas que, não obstante as dificuldades conseguiram grandes êxitos e, por outro lado, pessoas que tiveram todas as oportunidades e as jogaram pela janela.

Veja bem, não estou afirmando que o meio não gera enorme influência em nossos resultados. É claro que as facilidades daqueles com boas condições de estudos, ambiente familiar propício e oportunidades são maiores daqueles que enfrentam a pobreza, violência e falta de bons exemplos.

E é justamente por saber disso que a Meritocracia não se opõe à importante intervenção do Estado em garantir condições de segurança, educação, cultura e saúde aos menos favorecidos.

A meritocracia traz uma mensagem de esperança! A de que apesar das dificuldades, nós temos escolhas. Podemos escolher trabalhar nosso caráter, aumentar nossos conhecimentos e habilidades e desenvolver uma atitude vencedora.

Que nosso ambiente não molda nosso futuro. De que não há determinismo. Somos corresponsáveis pelo nosso desenvolvimento.

Ao contrário do que disse a juíza, a meritocracia não coloca todo o peso nas costas do indivíduo desresponsabilizando o Estado.

Por outro lado, não isenta o indivíduo do trabalho que deve realizar em si mesmo, nem vê o Estado como responsável integral pela vida das pessoas.

A ideia da Meritocracia é inerente a uma sociedade madura e responsável em que o Estado faz seu papel de dar condições mínimas a todos e o indivíduo abraça a responsabilidade de construir o seu futuro.

Grande abraço,

Tony

O QUE NÃO LHE CONTARAM SOBRE LIDERANÇA – SONO

Quando converso com executivos, é comum ouvi-los dizer que dormem mal e muito pouco. Que, ao deitarem, carregam o mundo consigo: as cobranças, os desafios, as metas por cumprir, as preocupações com o trabalho e com a família. Que dormir tornou-se um artigo de luxo e que não se lembram da última vez que tiveram um sono tranquilo e reparador. Realidade triste e perigosa!

Comprovadamente, dormir bem auxilia o cérebro em suas funções de aprendizado e memória. É durante o sono que as informações armazenadas, ao longo do dia, saem do hipocampo e vão para o córtex a fim de que possam ser armazenadas de modo definitivo. Se o sono é interrompido
ou insuficiente, temos um comprometimento do processo de aprendizagem, que não acontece da maneira devida.

É também notório que não dormir o suficiente torna as pessoas mais suscetíveis ao ganho depeso, pois a depravação de sono tende a afetar os hormônios que controlam a fome e o apetite. Importante ressaltar também que, como resultado da fadiga experimentada durante o dia – em virtude de
uma noite mal dormida –, as pessoas raramente se engajam em atividades físicas diárias. Finalmente, a falta de sono adequado pode resultar em irritabilidade, mau humor, impaciência, incapacidade de concentração, aumento do estresse, impotência e, é claro, diminuição do desempenho.

Nesse momento, você pode estar se perguntando: quantas horas são necessárias por noite para um sono reparador? Embora a resposta varie de pessoa para pessoa, podemos afirmar que mais de 95% da população mundial necessita de 7 a 8 horas de sono para estar descansado, 2,5% necessitam de menos de oito horas e 2,5% precisam de mais de 8 horas.

A correspondência é clara: se você não dormir com qualidade, nem o suficiente, é bem provável que seu desempenho e sua qualidade no trabalho serão reduzidos. Agora, parece-me clara a importância de dormir bem, não é? Se não por sua saúde, por sua qualidade de vida em geral e pelos resultados que começará a alcançar após mudar seus hábitos de sono.

No próximo artigo, vou trazer 3 dicas sobre hábitos que uma vez praticados, irão mudar radicalmente a qualidade do seu sono e melhorar a sua qualidade de vida, não perca!

“Dormir é a melhor meditação.”
                                            Dalai Lama

QUER SER UM BOM LÍDER? ENTÃO APRENDA A DORMIR BEM!

Como alguns de meus clientes relatam dificuldades em dormir, gostaria de sugerir algumas práticas que, se implementadas, impactarão imensamente a qualidade do seu sono. Eis o que descobri:

1- Estabeleça um horário para dormir e levantar.

Para cada dia da semana, qual o melhor horário para você dormir e levantar,

Considerando um mínimo de 8 horas de sono por noite? Das 23h às 7h? Das 22h às 6h?

A ideia aqui é que, ao estabelecer e cumprir uma rotina para o seu sono, você estará treinando o seu cérebro (daí a importância de seguir esta rotina por no mínimo duas semanas). Assim, quando o horário de dormir se aproximar, você naturalmente desacelerará e, por outro lado, na hora de acordar, você se sentirá desperto.

2- Evite o excesso de cafeína e outros estimulantes.

Tive um cliente que tomava seis xícaras de café por dia e não sabia por que tinha dificuldades em dormir.

O mundo corporativo facilita e encoraja o consumo de cafeína. São inúmeras reuniões regadas a café, além de refrigerantes, consumidos nas refeições e durante o dia.

Você pode imaginar que uma lata de refrigerante ou um café expresso no jantar não seria suficiente para influenciar o seu sono, certo?

A ciência diz: errado! A cafeína ou refrigerante pode permanecer em nosso corpo por até 12 horas!

Aqui fala mais alto o bom senso. Sem necessidade de abolir o seu café da manhã é importante regular o seu consumo se desejamos uma noite de sono contínua e reparadora.

Por fim, vale lembrar que esta regrinha serve para estimulantes em geral.

É bom senso evitar nicotina e álcool perto do horário de dormir.

No que diz respeito ao álcool, a crença é a de que uma taça de vinho antes de dormir, por exemplo, auxiliará no relaxamento e o sono.

Embora seja verdade que pode auxiliar na indução do sono, a ingestão de álcool, próximo.

Ao horário de dormir, prejudica seus ciclos no momento da metabolização do álcool em seu corpo.

Um estudo desenvolvido pelo Centro de Sono de Londres sugere que o consumo de bebidas alcoólicas antes de dormir prejudica os ciclos do sono e, se consumido com frequência, pode causar problemas como apneia e insônia crônica. A pesquisa foi publicada na revista especializada Alcoholism: Clinical & Experimental Research.

Recentemente, conversava com um amigo, executivo de marketing de uma grande empresa multinacional. Ele me dizia que é comum a realização de “happy hour” com sua equipe e clientes, que em função de uma vida social intensa, percebeu que estava ingerindo bebidas alcoólicas todos os dias e que este hábito estava comprometendo seu sono, seus níveis de energia e trazendo-lhe sobrepeso (pois a bebida sempre é acompanhada de porções de tira-gosto).

A solução que encontrou foi substituir os chopes por água com gás e limão ou suco de frutas.Afirma que essa mudança fez toda a diferença!

Quando pensamos em altos executivos, é comum criarmos a imagem de super-homens, que trabalham 50 horas por semana, conduzem negócios multimilionários, são pais de família e que, em seus compromissos sociais, bebem como se não houvesse amanhã.

Nada mais falso!

Uma nova pesquisa, encomendada pelo site de recrutamento americano Career Builder, feita entre novembro e dezembro de 2014 com mais de 500 executivos seniores, revelou que mais de três em cinco executivos (62%) se abstêm de ingerir bebidas alcoólicas durante os encontros de “happy hour” da empresa.

Interessante não é?

3 – Estabeleça bons hábitos que auxiliem a ter uma boa noite de sono.

Vamos combinar que analisar o último relatório financeiro de sua empresa antes do horário de dormir não é a melhor estratégia de relaxamento, não é mesmo?

Os especialistas em sono sugerem-nos que, conforme o horário de dormir se aproxima, é recomendado que nos preparemos para esse momento.

Um banho quente, uma música suave e a diminuição das luzes são boas estratégias para a transição entre o estado desperto e o de dormir que logo chegará.

Lembro-me de uma decisão que tomei há muito tempo: a de não ter

Televisão no quarto. Posso dizer que não foi fácil, afinal quem não gosta de, em um domingo de manhã, ficar deitado na cama entre livros e jornais assistindo a seu.

Programa favorito?

Minha decisão foi baseada em três fatores, dois diretamente relacionados com a qualidade de meu sono.

O primeiro deles é o de que é uma boa ideia associar minha cama com dormir. Os especialistas dizem ser importante evitar outras atividades como ler, assistir a televisão ou comer na cama. O ideal é que seu cérebro faça uma conexão entre deitar na cama e quase que imediatamentecair no sono.

O segundo é de ordem prática: quando estamos com o controle remoto nas mãos é fácil encontrar um programa interessante que se iniciará às 22h30, mesmo sabendo que, no dia seguinte, seja necessário levantar cedo, às 6 da manhã. Ademais, a excitação mental provocada pela maioria dos programas de televisão adiciona mais tempo, após seu término, para que possamos finalmente cair no sono.

Por último, tenho visto, na casa de alguns amigos com filhos adolescentes, que se formaram verdadeiras ilhas dentro de suas casas. Cada um dos filhos e o próprio casal, trancados em seus quartos com suas tevês e computadores, ficam em completo isolamento e dissociados uns dos outros.

Pode parecer antiquado, mas gosto muito da ideia de fazer refeições em família e aproveitar a tevê como um instrumento de congregação.

Nesse sentido, quanto menos aparelhos de tevê em casa, melhor!

Chegou o momento de dizer que comer uma feijoada ou ir a um rodízio de carnes antes de dormir não me parece uma boa ideia!

O organismo tem o metabolismo reduzido durante a noite, de modo a permitir o sono profundo e o relaxamento.

Desse modo, o consumo excessivo de comida no período noturno faz com que o sistema digestivo trabalhe justamente quando deveria ser poupado. Isso pode causar insônia, má digestão, refluxo gastroesofágico, sem mencionar pesadelos terríveis!

A regra é o velho bom senso! Perceba o que funciona pra você, lembrando que uma refeição frugal à noite, além de auxiliar seu sono, permite que acorde sedento pela refeição mais importante do dia: o café da manhã.

Alguns clientes reportam-me que não tomam café da manhã, pois nunca tem fome nesse período. Uma rápida inquirição sobre seus hábitos revela que, em regra, comem muito à noite.

QUAL A RELAÇÃO ENTRE ALIMENTAÇÃO, OBESIDADE E A LIDERANÇA?

Você sabia que a obesidade é responsável pela morte de aproximadamente 3 milhões de pessoas por ano?

Esse dado alarmante foi divulgado pela organização mundial de saúde (OMS) em 2012. Isso transforma a obesidade em um dos maiores problemas de Saúde Pública do Mundo. Mas sabe de uma coisa? Acredito que tão grave quanto às mortes causadas pela obesidade são as limitações que impõe à vida das pessoas que são portadoras dessa terrível doença. Sabidamente, o excesso de peso predispõe o organismo a uma série de doenças, em particular, doença cardiovascular, diabetes tipo 2, apneia do sono e osteoartrite.

Em outras palavras, além de eventualmente levar à morte, a obesidade compromete imensamente a qualidade de VIDA das pessoas. Sob o ponto de vista psicológico, tenho percebido que o aludido mal pode minar a autoestima e confiança das pessoas, gerando seus nefastos efeitos para muito além da mera questão estética. Pessoas obesas são alvo de preconceito e discriminação. Isso pode ser observado nas mais corriqueiras situações, como programas de televisão, revistas e piadas.

Para se ter uma ideia da gravidade do que afirmo, em estudos realizados em 1993 e 1995, estudantes universitários afirmaram, em testes de múltipla escolha, que preferiam casar-se com estelionatários, usuários de cocaína, ladrões e pessoas cegas do que com pessoas obesas.

Vivemos em uma sociedade que está sob constante estresse. As pessoas correm de um lado para o outro, sem tempo para fazerem refeições com calma e qualidade. A maioria não percebe o que coloca em seus pratos e, em regra, dormem mal. O sedentarismo faz com que as pessoas não se exercitem com regularidade. Além disso, é possível notar que, principalmente nos países desenvolvidos, há um aumento significativo na sua capacidade de consumo, o que, por conseguinte, faz com que ingiram cada vez mais calorias (de má qualidade) em seu dia a dia.

O efeito desse estilo de vida, a longo prazo, é nefasto para nossa saúde.

Nunca trabalhamos tanto, comemos tanto, corremos tanto e, ao mesmo tempo, nunca tivemos níveis de energia tão baixos. Temos vivido nossa vida ou é nossa vida que se impõe em nós?

Investimos considerável esforço em compreender e manejar o mundo

exterior, todavia, investimos pouquíssimo esforço em entender e nos tornar

mestres de nosso mundo interior. Pessoas no mundo inteiro têm gastado uma fortuna com remédios emagrecedores, dietas mágicas, soluções milagrosas na tentativa de perder peso. Dentro daquilo que chamamos “efeito sanfona”, não conseguem o resultado duradouro que buscam, não somente em seus corpos, mas também em seu nível de energia, saúde e bem-estar.

Nosso objetivo não é sugerir alimentos, tampouco defender esta ou aquela dieta. O que entendo como importante é ressaltar que a liderança está relacionada a ter energia para gerar impacto na sua empresa, sociedade e família e isso passa por sua alimentação. Que se você, leitor, quer alcançar todo seu potencial como líder e deseja ter o maior nível de produtividade possível, é importante que considere sua alimentação.

Perceba como os alimentos que consome lhe influenciam. O que ocorre quando volta de um rodízio de carnes ou quando ingere muito álcool? Isso influencia somente seu corpo e sua disposição ou também interfere em suas emoções e pensamentos? Os orientais, há milhares de anos, associam uma alimentação saudável com os níveis de saúde de uma pessoa. Mais que isso, há grande número de estudos científicos evidenciando que o consumo balanceado de vitaminas, gorduras e minerais é essencial para o equilíbrio e bom funcionamento do cérebro.

Trabalho diretamente com muitos executivos que tentam recarregar suas energias durante o dia. Fazem isso consumindo açúcar refinado (bolos, doces, chocolates, muffins) ou estimulantes (café, chá preto etc.). Embora o consumo de tais alimentos dê a eles um pico de energia, o que os auxilia a atravessar o dia, a longo prazo isso não substitui a necessidade de buscarem vias mais saudáveis de aquisição de energia, sem mencionar o dano que causam a seu cérebro e saúde em geral.

Neste momento, você, meu leitor, pode estar pensando que falar é fácil e que mudar os hábitos é que são elas. Pode também estar imaginando que sua rotina de trabalho não favorece uma alimentação mais equilibrada. Quero dizer que você está certo!

Mudar hábitos não é fácil e que, para que seja sustentável, a mudança deve ser gradual.

Posso dizer isso porque passei por esse processo. Fui uma criança obesa, um adolescente obeso e um adulto obeso até há alguns anos…

Você vai morrer!

O ano era 2001. Estarrecido, eu me encontrava diante do médico que, com certo ceticismo, segurava meus exames médicos e pronunciava minha sentença de morte.

Ok pensava eu, estou um pouco acima do peso, mas como assim vou morrer? Que história é essa? Está certo, não estou um “pouco” acima do peso, afinal 128 quilos não é pouco para ninguém, mas morrer?

Foi quando o médico rompeu meu devaneio e começou a falar.

— Sr. Antônio (nunca é bom sinal quando me chamam de Antônio), o senhor tem 30 anos, pesa 139 quilos (ok, não eram 128), é sedentário, ingere bebidas alcoólicas com certa regularidade, apresenta níveis alarmantes de colesterol ruim e hipertensão, possui larga circunferência.

Abdominal (barriga!), vive sob constante estresse e reporta que, recentemente, começou a fumar charutos nos finais de semana.

Continuou o médico:

— É meu dever, como profissional, alertá-lo (a) de que se não mudar, drasticamente, seu estilo de vida e começar a se tornar mais responsável com sua saúde e com sua própria vida (doeu!), o senhor não chegará aos 40 anos. As chances são de que tenha um infarto antes disso.

Dito isso, deixou os exames sobre a mesa e, sem ao menos despedir-se, saiu da sala, deixando-me sozinho e apavorado com meus pensamentos.

Pensando em retrospectiva, aquela pequena consulta foi uma das melhores coisas que já me aconteceu. Afinal, despertou-me para uma nova realidade e criou em mim o senso de urgência em mudar minha vida. Foi um longo caminho. Cheio de altos e baixos. Sob o ponto de vista pessoal culminou com uma grande transformação. Perdi 44 quilos e me tornei um

Atleta amador (sem deixar de trabalhar 45 horas por semana). Olho para trás e quase não reconheço a pessoa sorridente e bochechuda das fotos que ainda tenho daquela época.

O que aprendi neste caminho?

Aprendi que é importante começar lentamente, estabelecer pequenas metas, e criar os hábitos que desejamos.

No próximo artigo explico melhor.

Forte abraço,

Tony.

ATIVIDADE FÍSICA: UM SANTO REMÉDIO PARA TODOS OS LÍDERES

E se eu lhe dissesse que tenho comigo um medicamento que fará com que você se sinta bem, aumentará sua autoestima, induzirá à calma, trará clareza ao seu pensamento e melhorará sua aparência? Mais ainda, que esse medicamento não tem efeitos colaterais, é legal e gratuito?

Muito bem, estou falando de atividades físicas. Quando afirmei que atividades físicas são verdadeiros remédios, não estava falando em sentido figurado.

No ano 2000, o pesquisador M. Babyak conduziu um estudo com 156 pacientes vítimas de depressão. Ele os dividiu em três grupos que, respectivamente, receberiam o seguinte tratamento:

1 – Medicação (antidepressivo)

2 – Medicação + exercícios físicos

3 – Exercícios físicos (30 minutos por dia 3x por semana)

Após 16 semanas, todos os três grupos apresentaram melhoras consideráveis, sem que tenha havido diferenças significativas entre eles. Após 10 semanas de tratamento, todavia, verificou-se uma sensível diferença nos grupos em relação ao percentual de recaídas (relapse), veja: No grupo tratado somente com antidepressivos, houve um percentual de relapse de 38%. Já no grupo que recebeu medicação e praticou exercícios físicos, o percentual de relapse foi de 31%. Finalmente, naquele em que os pacientes praticaram somente atividades físicas, o percentual de relapse foi de somente 9%.

“Atividade física não é apenas uma das mais importantes chaves para um corpo saudável – elaéà base da atividade intelectual criativa e dinâmica.” John F. Kennedy

A conclusão do estudo foi a de que “para pacientes com depressão, a realização deatividades físicas é bastante confiável e associada a benefício terapêutico relevante, especialmente, se praticada continuamente e ao longo do tempo”. Nosso corpo foi feito para se movimentar. Uma vida sedentária é causa da maioria dos males da sociedade moderna.

O dr. John Ratey, professor na Escola de Medicina na Universidade de Harvard e autor do livro Spark: The Revolutionary New Science of Exercise And The Brain (ainda não traduzido para o Português) afirma: Costumávamos pensar que nascíamos com certa quantidade de células cerebrais e que estávamos fadados a perdê- las. Todavia, agora sabemos que também ganhamos novas células cerebrais todos os dias. “E que não conhecemos nada que aprimore mais ou substitua melhor nossas células nervosas por outras novas, ou ainda que promova seu crescimento que a realização de atividades físicas.” É, meu amigo, não tem jeito, uma vida saudável passa, necessariamente, pela prática regular de exercícios físicos. Quero dizer que sei que não é fácil iniciar uma nova rotina e que sair do sedentarismo é tarefa que exige muito de nossa vontade. O que aprendi neste caminho é que se trata de um processo e, como tal, deve ser iniciado com calma. É comum encontrar pessoas que foram sedentárias a vida inteira ou por um longo período e que começam a se exercitar de maneira quase irresponsável, exigindo demais de seu corpo desacostumado com tamanho esforço e que, invariavelmente, lesiona-se em pouco tempo. A chave aqui é consistência! Também aprendi que a chance de você permanecer engajado com seus exercícios aumenta significativamente se consegue associá-los ao prazer.

Acredito que não existe a atividade física “correta”. O que há é a atividade física que melhor se ajusta às suas preferências e ao seu estilo de vida. Correr é tão bom como caminhar, que, por sua vez, pode ser intercalado com natação ou hidroginástica. O importante é optar pela modalidade de esporte que lhe dá prazer! Em meu caso, intercalo a realização de várias atividades e, com isso, sinto-me sempre motivado a praticar esportes.

Durante muitos anos, ouvi dizer que, para conseguirmos resultados duradouros em nossa dimensão física, especialmente no que diz respeito à alimentação e exercícios basta querer, basta ter força de vontade. Grande mentira que me contaram!

A limitação da disciplina e da força de vontade. Inicialmente, considere as seguintes informações:

  • Noventa e cinco por cento das pessoas que perdem peso em uma dieta ganham novamente o percentual perdido, ou ganham ainda mais do que perderam originariamente.
  • Mesmo após um ataque cardíaco, apenas um a cada sete pacientes muda seus hábitos de alimentação e exercícios.

Essas informações servem para demonstrar a limitação da força de vontade e disciplina utilizadas, isoladamente, para alcançar resultados duradouros. Há uma ideia equivocada de que, para perder peso com saúde e de forma duradoura, basta “querer”, que o que importa quando desejamos mudar as nossas vidas e comportamentos é a força de vontade, o esforço e a disciplina.

A propósito, há um grande mercado de “palestrantes motivacionais” e livros de “autoajuda” que, de forma inspirada, exortam as pessoas a mudarem seus hábitos com frases como: “você pode”, “basta querer” etc. É claro que força de vontade e disciplina são importantes não somente no processo de emagrecimento, mas, de uma forma geral, em todas as áreas da vida. Disciplina é fator essencial na criação de rotinas que, a longo do tempo, produzirão grandes resultados no que quer que nos debrucemos.

Mas sua influência é limitada e, a não ser que se trabalhe na construção de hábitos duradouros, em sua autoimagem e depois em suas crenças, qualquer mudança de comportamento baseada, unicamente, na força de vontade está condenada a durar pouco tempo.

No excelente livro “Be Excellent at Anything”, ainda não traduzido para português e escrito por Tony Schwartz, o autor apresenta inúmeras pesquisas que demonstram de maneira inequívoca a limitação da força de vontade. Os pesquisadores informam que cada um de nós tem um “reservatório” de vontade e disciplina que é usado e reduzido cada vez que nos autorregulamos em relação a alguma coisa – seja resistindo a um doce, a uma pizza, ou fazendo qualquer coisa que requer esforço consciente de autocontrole. Em outras palavras, cada vez que nos autocontrolamos em relação à comida, ao sexo ou a nossas emoções, estamos usando um percentual de nosso reservatório de vontade e disciplina, reservatório esse que, por ser limitado, esvazia-se rapidamente.

Autocontrole e disciplina operam da mesma forma que os músculos durante treinamentos de resistência. Quando expostos ao estresse contínuo, o músculo se torna progressivamente destituído de força até que não consegue gerar mais energia e entra em colapso. Se tivermos de contar, exclusivamente, com disciplina e força de vontade para estabelecer um novo padrão de comportamento, a arrasadora probabilidade é que iremos falhar.

Ora, não precisamos ir muito longe. Se você já tentou fazer dieta antes, saberá do que estou falando. Já aconteceu de iniciar uma dieta e durante os primeiros dias ou semanas resistir bravamente a todos os tipos de tentações que lhe ofertaram? Cortou de sua alimentação opções como pizzas, massas, doces, salgados, frituras por um tempo, até que em determinado momento, por alguma razão, como ansiedade ou estresse, e já cansado das disciplinas a que se impôs, você simplesmente “entrega os pontos” e cai de cabeça em todas as guloseimas com vigor redobrado, ganhando ou mesmo aumentando o pouco peso que havia perdido?

Pois é, meu amigo (a), isto se deve ao fato de ter imaginado que para perder peso basta querer, ter força de vontade. E, agora, sabemos que, embora sejam elementos importantes no processo de mudança de hábitos, são insuficientes para gerar os resultados que desejamos em nossas vidas. Outra razão pela qual a força de vontade, isoladamente, é insuficiente para gerar resultados efetivos e duradouros, decorre do pressuposto de que, quando exercermos força de vontade e disciplina sobre algo, é porque estamos agindo contra nossa vontade, contra nossos desejos e, muitas vezes, contra nossa própria identidade. Ora, não precisa ser um gênio para saber que ninguém consegue viver se privando de seus desejos, de sua vontade e, pior, de sua própria identidade.

Neste momento, você pode estar se perguntando o seguinte: “Ora, se não basta querer para perder peso e emagrecer com saúde, estabelecendo novos hábitos em minha vida, o que devo fazer? Qual a peça faltante?” Bom, é neste momento que gostaria de introduzir dois novos conceitos extremamente importantes em sua jornada. Nos próximos artigos, falarei sobre a importância da forma como enxergamos a nós mesmos (autoimagem), das crenças que alimentamos e que influenciam muito a forma como pensamos, agimos e, consequentemente, os resultados que alcançamos e, finalmente, sobre o processo de criação de hábitos novos e mais saudáveis.