Minha primeira grande lição sobre liderançaMy first big lesson about leadership

A expectativa era grande. Aquela foi a primeira vez que fora convidado a uma das famosas festas oferecidas pelos pais da menina que não somente era a mais rica, como também a mais bonita de minhas colegas de sala, e por quem eu nutria uma secreta paixão.

O convite anunciava festa havaiana a beira da piscina. Me recordo de selecionar minha melhor bermuda, camisa florida e de pedir para minha mãe (afinal só tinha dez anos) que comprasse alguns colares para completar o figurino.

No dia da festa meu pai deixou-me na frente daquela casa suntuosa e combinou de me buscar algumas horas depois.

Devia ter percebido que alguma coisa estava errada pelo olhar de reprovação da governanta que me recebeu e encaminhou para a área da piscina. Ao chegar ali não pude crer no que via: dezenas de convidados, todos vestidos de traje social, homens de terno e gravata e mulheres de vestido longo. E eu ali, com minha camisa florida e três ridículos colares em volta de meu pescoço gorducho.

Claro que a primeira coisa que me ocorreu foi dar meia volta e sair correndo dali. Mas era tarde demais. Minha coleguinha vinha em minha direção vestida como quem ia a uma festa de quinze anos, rindo deste seu colunista, que havia entendido traje havaiano quando se tratava de uma festa com decoração havaiana.

E então o inimaginável aconteceu. Ao ouvir meu desejo de ir embora imediatamente ela não somente recusou minha ida como, dando-me as mãos, me apresentou um a um a todos os convidados da festa. Depois disso, me encaminhou a uma mesa reservada para as crianças e saiu por alguns instantes.

Ainda que só pensasse em desaparecer a vi cochichando com sua mãe que sorrindo acenou positivamente com a cabeça.

Alguns minutos depois, ela retornou e o que vi me tocou tanto que aquela cena ainda habita meu imaginário. Ela havia trocado seu vestido longo por uma saia florida, um top, sandálias, flores na cabeça e, pasmem, colares em volta do pescoço! Sentou – se ao meu lado e dali só saiu quando fui embora (horas depois!).

Essa foi minha primeira namoradinha e também minha primeira professora acerca da verdadeira liderança, ainda que só tenha apreendido a lição muitos anos depois.

Aprendi que não importa o que diga, nada é mais forte do que as suas ações e seus exemplos. Aprendi que líderes “pegam nas mãos” e mostram o caminho quando seus liderados se perdem no caminho. E por fim, reconheci que ao se fazer pequeno para servir aos seus comandados o líder dá verdadeiro exemplo de grandeza.

Ainda que nos últimos anos tenha refinado minha visão a respeito da liderança, essa experiência permanece a base desta, e por mais que tenha conhecido e sido influenciado por grandes líderes ao longo de minha jornada, é daquela garotinha vestida de havaiana que guardo a mais doce lembrança.

Um forte abraço,

Tony


The expectation was high. That was the first time that I was invited to one of the famous parties offered by the girl’s parents that was not only the richest but also the most beautiful of my classmates, and for whom I harbored a secret passion.

The invitation announced “hawaiian party by the pool”. I remember to select my best shorts, flowered shirt and ask for my mom (after all was only ten years) to buy some necklaces to complete the costume.

On the party day, my father left me in front of that sumptuous house and arranged to pick me up a few hours later.

I should have noticed something was wrong by the look of disapproval of the housekeeper when she received me, and escorted me to the pool area. Arriving there I could not believe what I saw: dozens of guests, all dressed in evening garments, men in suits and women wearing long dresses. And there I was with my ridiculous flowered shirt and three necklaces around my chubby neck.

Of course the first thing that occurred me was to turn around and run away. But it was already too late. My classmate came to me dressed as if going to a sweet sixteen party, laughing at this columnist, who had understood hawaiian costume when it was a party with hawaiian decor.

And then the unthinkable happened. After hearing my desire to leave immediately, she not only refused my departure as taking my hands, presented me one by one to all the party guests. After that, escort me to a table reserved for the children and went out for a while.

Even though my only thought was disappearing I saw her whispering with her mother that with a smile nodded her head.

A few minutes later she returned and what I saw touched me so much that the scene is still vivid in my imagination. She had changed her long dress for a flowered skirt, a top, sandals, flowers in the head, and, astonishingly, necklaces around her neck! She sat down beside me and only left when I left the party (hours later).

That was my first girlfriend and also my first teacher about the true leadership, even I have only learned the lesson many years later.

I learned that no matter what you say, nothing is stronger than your actions and examples. I learned that leaders “take you by the hands” and lead the way when their team lost the way. And finally, I realized that by doing himself little to serve the leader gives his team a true example of greatness.

Although in recent years I have refined my vision on leadership, this experience remains the basis of my vision, and even though I have known and have been influenced by great leaders throughout my journey, is that little girl dressed in hawaiian who remains in my sweetest memories.

Big hug,

Tony.

Comentários (2)

Letícia
21 de novembro de 2011 Reply

Tony, parabéns pelo artigo! Me surpreendi pois comecei a ler esperando uma lição mais óbvia de liderança e me deparei com algo mais sutil e de profunda sensibilidade, que me fez pensar em lições como essa que também ja vivi mas não tinha conseguido ver por esse prisma! Beijos

Marcio
21 de novembro de 2011 Reply

Fantástico o seu post. Parabéns! Abs

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