Senhores ou escravos da tecnologia?

Em 23 de abril de 2005, Jawed Karim subiu o primeiro vídeo do Youtube. Em março de 2006, Jack Dorsey enviou o primeiro tweet e, em setembro do mesmo ano, o Facebook, uma rede que estava sendo utilizada somente por estudantes americanos, passou a ter acesso livre.

Desta forma, em 2015 completa 10 anos desde que a atividade dos internautas experimentou um desenvolvimento vertiginoso e inédito.

Esta eclosão de conectividade, verdadeira revolução na maneira de relacionar-se e de receber informações, fez com que alguns pensadores como Román Cendoya afirmem que surgiu uma nova espécie de homem: O HOMEM DIGITAL.
Uma primeira característica deste homem digital é viver sempre ao lado de seus gadgets (smartphones, tablets e notebooks). Tudo está ao alcance de um click. Se obtém a resposta a qualquer pergunta instantaneamente através de buscadores como Google e de plataformas como a Wikipédia.

Este suposto homem digital amplia sua identidade, saindo de sua vida familiar e de amigos para o espaço virtual ilimitado. Sua participação nas redes sociais, foros e blogs lhe permite reconstruir o seu EU, dota-lo de novas facetas, reais ou inventadas, onde qualquer pessoa pode ter seus quinze minutos de glória.

Não obstante o dilúvio de informações e a imediatidade com que são conseguidas, nos parece que esta nova era transformou o homem digital em um ser enfermo. As mensagens eletrônicas contínuas, os tweets, notificações de e-mail e Facebook fizeram com que este novo homem se veja obrigado a permanecer em um estado de alerta permanente, um estado de excitação que leva a estados aditivos e transtornos de comportamento (na Coréia e outros países asiáticos o vício decorrente de vídeo games e internet já são considerados epidêmicos).

Ora, basta olharmos para o lado e veremos pessoas que não conseguem resistir à uma sessão de cinema, uma peça de teatro, um concerto, ou mesmo uma sessão religiosa sem consultar seu celular.

Este homem digital renuncia sua intimidade ao compartilhar suas fotos com milhares de “amigos” na busca de sua aprovação. Permanece exposto, maquiando suas experiências, idealizando suas viagens, exibindo seus pequenos triunfos e encobrindo seus fracassos.

E, por incrível que pareça, ainda que a tecnologia facilite as conexões, não raro encontramos casais absortos em seus celulares durante um jantar romântico.

A mim me parece que encontraremos o equilíbrio na utilização da tecnologia em futuro próximo. Quando percebermos que, não obstante as inúmeras vantagens que a tecnologia oferece, nada substitui o trato pessoal, o uso da palavra, o olhar, os gestos e a calidez dos beijos e abraços.

Abraços,
Tony

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