Sobre a felicidade

Em um de meus seminários, tenho a oportunidade de discutir o tema “Felicidade” e sempre que o faço pergunto aos participantes o que seria necessário acontecer em suas vidas para que pudessem ser plenamente felizes. Peço para que deem asas à sua imaginação e, imediatamente, as respostas começam a surgir. Seguem alguns exemplos:

1) Se eu fosse rico, então seria feliz.
2) Se passasse no concurso público que desejo, então seria feliz.
3) Se tivesse a mulher ou homem de meus sonhos, então seria feliz.
4) Se estivesse realizado profissionalmente, então seria feliz.
5) Se meus pais estivessem vivos, então seria feliz.
6) Se tivesse o carro, casa, sítio ou fazenda de meus sonhos, então seria feliz.
7) Se tivesse um corpo esbelto, então seria feliz.

Das respostas apresentadas surge um padrão comum à todos que responderam a essa pergunta naqueles encontros. O padrão “Se…, então seria feliz.”.

A ideia é a de que se tivessem ou experimentassem algo ou caso acontecesse alguma coisa em suas vidas então seriam felizes. Condicionam sua felicidade a ter, fazer ou experimentar alguma coisa.

Vejamos, por exemplo, o padrão que condiciona a felicidade a ter alguma coisa. Uma casa, carro, esposa, fazenda, avião e etc.

Ora, percebe-se facilmente como é frágil esta ideia. Desde pequenos imaginamos que se tivéssemos um determinado brinquedo então seríamos felizes, somente para descobrir que logo após se esvaído o entusiasmo inicial de sua posse voltamos ao tédio inicial. Então elegemos um novo objeto de desejo que desta vez trará a promessa da tão sonhada felicidade.

Quando crescemos, os brinquedos desejados tornam-se outros. O que era uma boneca ou uma bola transformou-se em um celular, uma casa, carros e outros “brinquedos”. A pessoa triste e deprimida vai ao shopping center fazer compras para descobrir que o sentimento de realização e felicidade daí decorrente é superficial e efêmero.

Recentemente ouvi de uma aluna que estuda para concursos públicos há cinco anos que sentia que sua vida neste período estava suspensa. Que somente estudava e que havia deixado de lado tudo que não fossem os livros. Família, amigos e espiritualidade deixaram de ser prioridade em sua vida para, ao contrário, serem colocados em último plano. Claro que ela age dessa forma por acreditar firmemente que sua felicidade estava condicionada à aprovação no sonhado concurso.

Enquanto a ouvia, não pude deixar de pensar que a vida é tão curta e ao mesmo tempo tão sagrada que “suspender” um dia de sua existência soa absurdo, quiçá cinco anos. Ao mesmo tempo, minha vivência me sugere que sua felicidade não estaria na aprovação no concurso público, pois imediatamente após a sua posse novas dificuldades e desafios surgiriam para desafiar sua fortaleza interior. Conheço, não dezenas, mas centenas de concursados que só sabem reclamar da vida.

E é justamente aqui que está o grande engano, o grande equívoco: as pessoas relacionam felicidade a um destino e não ao caminho!

Aqueles que acompanham meu trabalho sabem que considero extremamente importante a fixação de metas e objetivos de vida. Todavia, uma vez estipuladas suas metas acredito que o mais importante é centrar-se no caminho, no presente, dando o melhor de si e fazendo o máximo todos os dias até alcançá-los.

Nós temos muito pouco controle sobre o que acontecerá com nossas vidas no futuro. Há um ditado popular que afirma: cada vez que fazemos planos Deus sorri.

O que está em nossas mãos, contudo, são as decisões que tomamos hoje, as ações que realizamos hoje, as escolhas que fazemos hoje. São estas decisões, ações e escolhas que somadas, dia após dia, transformam nosso destino e nos dão o sentimento de que temos um propósito de vida e, consequentemente, de felicidade.

Você não tem de acreditar em mim. Tudo o que peço é que experimente e, se funcionar em sua vida, continue a fazer.

Durante um mês deixe de lado toda a preocupação e ansiedade com o destino desejado. Com o futuro. Estipule suas metas e objetivos e, uma vez fixados opte por viver um dia de cada vez, focado nas ações que estão em seu controle e que o levarão até lá.

Aproveitando o exemplo de minha aluna, se você faz concurso público, ao invés de se martirizar diariamente com todas as dificuldades que enfrenta, de ficar ansioso com a prova marcada ou ficar sentado em frente ao livro por 8 horas diárias para, ao final, descobrir que apreendeu muito pouco pois estava com a cabeça nas nuvens, decida estar focado no agora, no presente. Decida aprender o máximo possível, confiante que o futuro lhe reserva um bom lugar.

Um imenso peso será tirado de suas costas e gradualmente um senso de realização e propósito surgirão. Então, quando a sonhada aprovação vier, não terá tido a sensação de que sua vida ficou suspensa durante os anos de preparação, mas ao contrário, que foram anos de aprendizado e descobertas, essenciais para a próxima etapa que se inicia.

Um forte abraço,

Tony

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