VAMOS FALAR DE MERITOCRACIA?

Recentemente recebi um post de uma Juíza de Direito do Paraná que criticava duramente a Meritocracia. Seu post “viralizou” com mais de 127 mil curtidas e 10 mil comentários no Facebook, mostrando a importância do assunto.

A seu ver, “o discurso embasado na meritocracia desresponsabiliza o Estado e joga nos ombros do indivíduo todo o peso de sua omissão e da falta de políticas públicas. A meritocracia naturaliza a pobreza, encara com normalidade a desigualdade social e produz esquecimento – quem defende essa falácia não se recorda que contou com inúmeros auxílios para chegar aonde chegou“.

E é justamente por encontrar tantas posições equivocadas sobre o tema é que decidi enriquecer o debate com algumas considerações.

A meu ver a meritocracia deve ser encarada sobre dois aspectos: uma mais restrita e outra mais ampla.

A primeira limita-se ao âmbito das Organizações: privadas ou públicas, com ou sem fins lucrativos e diz respeito aos critérios de promoção e avanço na carreira de seus membros.

A ideia central é a de que independentemente do tempo na empresa ou na função, de idade, sexo, cor, nacionalidade ou qualquer outro fator desta ordem, o critério fundamental a garantir o avanço na carreira dos membros de uma organização é o MÉRITO.

O mérito se materializa no esforço, engajamento, dedicação, caráter e resultados apresentados ao longo do tempo.  A meritocracia como filosofia e cultura organizacional é justa, desejável e imprescindível às Organizações do século XXI.

Sob o ponto de vista mais amplo, me parece que o tema repousa sobre uma pergunta: o ambiente é determinante ao nosso sucesso ou fracasso?

Quero dizer, se nascemos em um ambiente de escassez de recursos e dificuldades, estamos fadados a uma vida de pobreza e fracasso?

Ou, por outro lado, se nascemos em berço esplêndido, temos a garantia de sucesso e realizações?

Me parece que a resposta às duas perguntas é um sonoro não!

Se buscarmos em nossa experiência, encontraremos exemplos de pessoas que, não obstante as dificuldades conseguiram grandes êxitos e, por outro lado, pessoas que tiveram todas as oportunidades e as jogaram pela janela.

Veja bem, não estou afirmando que o meio não gera enorme influência em nossos resultados. É claro que as facilidades daqueles com boas condições de estudos, ambiente familiar propício e oportunidades são maiores daqueles que enfrentam a pobreza, violência e falta de bons exemplos.

E é justamente por saber disso que a Meritocracia não se opõe à importante intervenção do Estado em garantir condições de segurança, educação, cultura e saúde aos menos favorecidos.

A meritocracia traz uma mensagem de esperança! A de que apesar das dificuldades, nós temos escolhas. Podemos escolher trabalhar nosso caráter, aumentar nossos conhecimentos e habilidades e desenvolver uma atitude vencedora.

Que nosso ambiente não molda nosso futuro. De que não há determinismo. Somos corresponsáveis pelo nosso desenvolvimento.

Ao contrário do que disse a juíza, a meritocracia não coloca todo o peso nas costas do indivíduo desresponsabilizando o Estado.

Por outro lado, não isenta o indivíduo do trabalho que deve realizar em si mesmo, nem vê o Estado como responsável integral pela vida das pessoas.

A ideia da Meritocracia é inerente a uma sociedade madura e responsável em que o Estado faz seu papel de dar condições mínimas a todos e o indivíduo abraça a responsabilidade de construir o seu futuro.

Grande abraço,

Tony

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